Desconstrução
domingo, novembro 05, 2006
domingo, julho 02, 2006
Último adeus V
Três da madrugada.
Eu te encontro
bêbado, feliz,
a vazar palavras
que pairam sobre este casarão.
Três da madrugada,
você apanha e acende um cigarro
com alegre cinismo.
A garganta queimada,
a fumaça e os olhos turvos.
Canalhices.
Ouço
"and so all else above,
I'm watting
for the man I love".
Você já amou
errado,
cara.
Três da madrugada,
rezo entre tuas pernas.
Teu cheiro é violento
e de repentre,
penso
que te amo.
Um assalto que eu gostaria que tivesse virado estupro
Saio seco,
a boate atrás.
Não sei as horas.
Não me importa
a porra das horas.
Não vou para casa
só!
Roleta-russa.
Corrida de obstáculos.
Mendigos,
meninos de rua,
michês de quinta-categoria
com aliança de noivado,
sotaque carregado.
Um moleque cobra cinco reais pelo boquete.
Primeiro um banho, neném...
Carros espiam devagar,
bem devagar,
procurando hora aqui,
hora ali,
o par perfeito da próxima meia-hora.
A noite não é para qualquer um,
meu irmão.
Um assalto rápido
e lá se foi o meu dinheiro,
fico de pau na mão.
Reclamo com a platéia:
Não se fazem mais
filhos-da-puta como antigamente.
Só grana,
só grana e nem uma
foda.
Sova, sangue ou porra.
Meu cu querendo ser arregaçado,
pedindo cacete,
e os meninos só queriam
o meu dinheiro.
Bosta, hoje eu quero ser
Jean Genet.
Sem amor,
sem Maria.
E eu saberei, pelos recifes,
de sua espera.
Tal Penélope
tecendo a
sina
das pedras.
Na reza
da volta,
da volta,
da volta...
Mas nada,
lenda sem volta.
História sem volta.
Eu não lhe trairei
nos abraços das sereias,
apenas
deixarei
meu barco
fluir,
sozinho,
distante
do seu amor.
E você, perplexa,
irá mirar
o horizonte,
lamuriando
e se perguntando,
onde?
A Lua em escorpião
Lixo nas calçadas.
Surra
de merda, papelão
e plástico.
Letreiros de néon
equilibram-se nos motéis
de beira de estrada.
Prédios velhos, cafonas,
esganiçados
pela Via Dutra.
A Lua em escorpião.
Cerveja sobre o balcão ao lado,
gargantas inflamadas,
conversa de bêbados,
cheiro de vômito e solidão.
Ela se matou
após dormir
na rodoviária
susurrando
um nome
a muito esquecido.
Lixo nas calçadas.
Surra
de merda, papelão
e plástico.
Letreiros de néon
equilibram-se nos motéis
de beira de estrada.
Prédios velhos, cafonas,
esganiçados
pela Via Dutra.
A Lua em escorpião.
Cerveja sobre o balcão ao lado,
gargantas inflamadas,
conversa de bêbados,
cheiro de vômito e solidão.
Ela se matou
após dormir
na rodoviária
susurrando
um nome
a muito esquecido.
Violet Blue II
Noite em nós de chuva,
lágrimas que lixam o céu.
O meu hálito viciado em tua língua
se exaspera
à procura
de seu calor, suor,
curvas, ombros,
lençol.
Antídoto
à base de fel.
Rezo na tua ausência.
Velo,
velo pela noite a dentro.
Velo tal qual carpideira
cujos olhos envolvem
desfiladeiros
soturnos.
Velo nas horas,
nos dias,
nas semanas que se amontoam,
mofam
e me asfixiam.
Velo.
Velo,
mesmo na certeza,
amor,
de que o corpo
morto
é meu.
Apenas meu.
Noite em nós de chuva,
lágrimas que lixam o céu.
O meu hálito viciado em tua língua
se exaspera
à procura
de seu calor, suor,
curvas, ombros,
lençol.
Antídoto
à base de fel.
Rezo na tua ausência.
Velo,
velo pela noite a dentro.
Velo tal qual carpideira
cujos olhos envolvem
desfiladeiros
soturnos.
Velo nas horas,
nos dias,
nas semanas que se amontoam,
mofam
e me asfixiam.
Velo.
Velo,
mesmo na certeza,
amor,
de que o corpo
morto
é meu.
Apenas meu.
Fracasso II
Mãos incompetentes,
duras e perdidas
que atiram à esmo
em um ritmo torto.
A melodia cai.
Pela voz
desisto.
Não preciso levantar,
enamoro a derrota,
vou ao fundo,
abraçando o desafino
no samba-canção manco,
nas vaias
atrás de vaias,
com os olhos bem abertos
para assistir o meu fracasso.
Fracasso, fracasso,
só fracasso
afinal.
Mãos incompetentes,
duras e perdidas
que atiram à esmo
em um ritmo torto.
A melodia cai.
Pela voz
desisto.
Não preciso levantar,
enamoro a derrota,
vou ao fundo,
abraçando o desafino
no samba-canção manco,
nas vaias
atrás de vaias,
com os olhos bem abertos
para assistir o meu fracasso.
Fracasso, fracasso,
só fracasso
afinal.
sexta-feira, junho 30, 2006
Cigarros em maço
Paredes descascadas,
olhos vermelhos,
cigarros em maço.
Dança esquiva,
quase luta,
no escadaria
mal iluminada.
Uma cortina de poliéster grená,
já a muito desbotada,
mal cobre a janela.
Sapatos, terno
e gravata.
Seu jeans custou muito caro
mas valeu a pena.
As veias saltam na madrugada,
na Via Ápia,
nos quartos alugados,
cheirando a mofo
e Pinho Sol.
As bofetadas espalham-se
entre humilhações clichês.
Cabelos ralos,
máquina 1,
tatuagens e bomba.
Olhos vermelhos,
cigarros em maço
e depois.
Paredes descascadas,
olhos vermelhos,
cigarros em maço.
Dança esquiva,
quase luta,
no escadaria
mal iluminada.
Uma cortina de poliéster grená,
já a muito desbotada,
mal cobre a janela.
Sapatos, terno
e gravata.
Seu jeans custou muito caro
mas valeu a pena.
As veias saltam na madrugada,
na Via Ápia,
nos quartos alugados,
cheirando a mofo
e Pinho Sol.
As bofetadas espalham-se
entre humilhações clichês.
Cabelos ralos,
máquina 1,
tatuagens e bomba.
Olhos vermelhos,
cigarros em maço
e depois.
Saltos Rachados
Obtuário extenso,
seu nome perdido.
Coração fraco, consumido pelas seringas.
Roupas usadas,
meias-calças
rasgadas
e o lixo amontoado pelos cantos.
A tv sempre pifada.
Desfilava pelos corredores,
pensando em Mariah,
Whitney e Madonna.
Saltos rachados,
calibre 42.
Cheiro de comida queimanda
e gordura espalhada pelos azulejos.
Geladeira sempre aberta.
Sobras em lata.
Suor forte no casaco pink
desbotado
pelas horas de pista
na Glória.
Estourava a noite,
liquidando o amor
na morte à pedradas.
Obtuário extenso,
seu nome perdido.
Coração fraco, consumido pelas seringas.
Roupas usadas,
meias-calças
rasgadas
e o lixo amontoado pelos cantos.
A tv sempre pifada.
Desfilava pelos corredores,
pensando em Mariah,
Whitney e Madonna.
Saltos rachados,
calibre 42.
Cheiro de comida queimanda
e gordura espalhada pelos azulejos.
Geladeira sempre aberta.
Sobras em lata.
Suor forte no casaco pink
desbotado
pelas horas de pista
na Glória.
Estourava a noite,
liquidando o amor
na morte à pedradas.
Automat
Pela vidraça,
Helena respirou o café amargo,
enlaçando o ar empesteado
de cigarro.
Alguns passos
esbaforidos
alinhavavam a calçada
ao seu redor.
Sua vida indo
e vindo
pela noite à dentro.
A cidade às escuras,
a insônia.
Trens calados,
farmácias abertas.
Helena fugindo,
lerda,
sozinha,
nua para o mundo,
no mais profundo breu.
Pela vidraça,
Helena respirou o café amargo,
enlaçando o ar empesteado
de cigarro.
Alguns passos
esbaforidos
alinhavavam a calçada
ao seu redor.
Sua vida indo
e vindo
pela noite à dentro.
A cidade às escuras,
a insônia.
Trens calados,
farmácias abertas.
Helena fugindo,
lerda,
sozinha,
nua para o mundo,
no mais profundo breu.
segunda-feira, junho 26, 2006
Resolvi tornar público (caso alguém venha a ler este blog) um bando de poeminhas pretenciosos. Eles são bem velhos, alguns já devem estar completando 10 anos. Eu sempre os guardei, ora com carinho, ora por insegurança total de minha parte. Já não mais sabendo o que poderia fazer com os pobrezinhos, resolvi colocá-los neste espaço, já que até musicá-los eu já tentei (o que ocasionou a montagem de uma também pretenciosa banda de trip hop que se limitou a um único ensaio nos idos anos 90). Bem, chegou a hora de colocar o meu bloco na rua e expor minhas tripinhas para alegria e o deleite do "grande público". Afinal, o que mais esperar de um nerd suburbano que, aos 10 dez anos de idade, cantava aos berros o repertório de Dalva de Oliveira enquanto ajudava sua avó a faxinar a casa?! Ou que acordava as 5 da manhã aos domingos para ler o catálogo telefônico em busca de celebridades e amigos improváveis? Decididamente a tragicomédia está em minhas veias. Oh, yeah, baby!
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