Um assalto que eu gostaria que tivesse virado estupro
Saio seco,
a boate atrás.
Não sei as horas.
Não me importa
a porra das horas.
Não vou para casa
só!
Roleta-russa.
Corrida de obstáculos.
Mendigos,
meninos de rua,
michês de quinta-categoria
com aliança de noivado,
sotaque carregado.
Um moleque cobra cinco reais pelo boquete.
Primeiro um banho, neném...
Carros espiam devagar,
bem devagar,
procurando hora aqui,
hora ali,
o par perfeito da próxima meia-hora.
A noite não é para qualquer um,
meu irmão.
Um assalto rápido
e lá se foi o meu dinheiro,
fico de pau na mão.
Reclamo com a platéia:
Não se fazem mais
filhos-da-puta como antigamente.
Só grana,
só grana e nem uma
foda.
Sova, sangue ou porra.
Meu cu querendo ser arregaçado,
pedindo cacete,
e os meninos só queriam
o meu dinheiro.
Bosta, hoje eu quero ser
Jean Genet.
1 comentários:
Te poema me levou a um fresquinho. Ainda sem título... Segue abaixo:
Não me importa
O porre das horas.
A alucinação límpida
dos instantes
que passam
perfuram o ser
de lembranças galopantes
e, ainda,
é melhor do que esquecer.
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