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domingo, novembro 05, 2006


Desconstrução



E agora, João?
essa porra de festa,
repleta de som e fúria,
parece não ter fim;
a sua dança,
rápida demais para os meus pés,
me deixou para trás,
atordoado,
a vista fulminada
pela luz da tv.
Bada, badada, baba, badadada, bada, badada, baba, badadada.
A MTV me cansava... os super-heróis das histórias em quadrinhos passam mais credibilidade do que as bandas de hoje em dia.
X-Men versus Strokes.
Fantastic Four versus White Stripes.
Doom Patrol versus Counting Crows.
La-ah-ah, la la lalala la
Ah-ah-ah, lá pelas tantas,
o sono vinha,
de leve,
me fazendo esconder
o rosto sobre o seu peito tatuado,
onde me permitia acreditar que tudo daria certo.
Tudo sempre tem que dar certo...
Mas, e agora, João?
Caralho, e agora, João?
Você que debochava selvagem,
você que me trazia alegrias sortidas
de camelô,
você que nunca ligava,
me desequilibrava,
me fazendo sentir um tolo.
Periquitos e realejo.
Bobo.
Your favorite clown.
Oh, oh-oh, oh-oh, oh-oh, oh oh oh
Oh, oh-oh, oh-oh, oh-oh, oh oh oh.
Por quê?
Qual era mesmo a música?
Os dias vão passando, você sabe...
Mas qual era mesmo a música, João?!
Na verdade,
acho que não escolhemos
a nossa música,
na verdade
não se escolhe a música,
ela simplesmente chega,
na hora certa,
no exato momento em que se percebe que não se pode mais ficar longe um do outro.
Ah, antes que eu me esqueça!
Já não fumo para te impressionar,
as noites agora são longas
e as manhãs não vem,
pelo menos não como deveriam vir.
Não preciso mais pegar aquele ônibus,
nem preparar o kir royal,
pois tudo enfim acabou e tudo enfim fugiu do controle e tudo enfim transformou-se em bom-dia e...
e agora, João?
E agora, João?
suas palavras cortantes,
sua gula de antropófago,
seus buttons,
sua falta de ciúmes,
seu odor,
seus poucos pêlos,
e a sua maldita incoerência...
e agora?
Com os dedos sobre o teclado tento impor um ritmo,
dominando o fluxo.
Nunca me pareceu tão necessário escrever,
relembrar,
buscar entre as horas
todos os enganos e estorvos...
esfacelá-los
e engoli-los.
João, e agora?
E se eu gritasse
e se eu gemesse
e se eu te desse
e se eu tocasse
o lado B daquela banda que só nos dois conhecemos ?!
E se você me amasse?
Ah, João,
mas a festa ainda não teve fim
e você continua a dançar
La la la la la la la la la la la la la la la la la la la .
ButIdon’tfeellikedancin’butIdon’tfeellikedancin’
butIdon’tfeellikedancin’butIdon’tfeellikedancin’.

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